Saturday, October 9, 2010

Um alpendre / A porch

Como são fascinantes estes alpendres, assim como varandas e toda a espécie de anexos das construções rústicas: Em pedra, ferro mas sobretudo em madeira, com o seu ar eternamente desconchavado e periclitante, mas construídos com um engenho e sabedoria antigos que parecem garantir que ao longo de gerações muitas tarefas decorrerão até que, somente por via de eventual abandono, finalmente se cumpra aquilo que até aí mais não era do que uma mansa advertência das leis da física.
Mansa não foi a luta que travei com este trabalho: Olhando para o esboço, achei desde o início que seria daqueles do tipo “canja com massinhas”... Na verdade, a partir de certo ponto nada parecia correr bem e sentia já ter perdido o controlo do que estava a fazer. Chegou mesmo a ser arrancado ao pacífico torpor do seu bloco de papel de aguarela para passar uma noite na pasta dos “falhanços”, estando eu decidido a esquecer o assunto e começar outra coisa no dia seguinte . No entanto, lá o resgatei da “prisão” após uma boa noite de sono e, mais por teimosia do que por convicção, acabei por o completar. Agora, dois dias volvidos, gosto dele...
Não sou muito adepto de persistir num trabalho quando este começa a ir por mau caminho, ou quando o prazer dá lugar ao suplício, e como comprovativo tenho a referida pasta dos falhanços generosamente recheada. Começo no entanto a perceber que quando a minha intuição me diz que em certos casos ainda há lugar para uma segunda oportunidade – e chegou a acontecer o mesmo com este – raramente me arrependo de voltar à luta.
How fascinating are these porches, as well as balconies and all sorts of attachments in rustic houses: In stone, iron, but especially in wood, with its crooked and shaky air, but built with an old wit and wisdom that seem to ensure that many tasks will take place over generations until finally, by way of an eventual abandonment only, they fulfill what was until then no more than a gentle warning from the laws of physics.
Gentle was not the battle I had with this work: Looking at the sketch, I thought from the beginning that it would be "piece of cake"... In fact, it came to a point when nothing seemed to go well and I felt to have lost control of what was doing. It was even torn from its peaceful slumber watercolor pad to spend a night in the "failures" folder, as I decided to let it go and start something else the next day. However, it was rescued from "jail" after a good night's sleep and, more by stubbornness than conviction, I ended up completing it. Now, two days are gone and I like it ...
I'm not very fond of persisting in a work when it starts to go astray, or when pleasure gives place to torture, and I have that “failures” folder generously stuffed as a proof. However, I'm beginning to realize that when my intuition tells me that in some cases there is still room for a second chance - and the same happened with this one - I rarely regret returning to the fight.
Papel Fabriano Artistico cold pressed 7"x 5" - 140lb (18x12,5cm - 300g/m2)
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9 comments:

Villager said...

Não consigo ver evidência alguma das prévias dificuldades. Mas acredito que as tenha havido porque eu também tenho passado por elas.

Paulo J. Mendes said...

Será fruto da época? Ultimamente anda por estes lados uma tendência para tornar complicado o que normalmente é simples...

Lefrontier said...

Ehehe! Compreendo perfeitamente - estou a passar por uma fase dessas com um desenho que à partida era "canja".... Pois! :))
Concordo totalmente com o Villager: não há indícios desse começo difícil. Ficou uma aguarela muito feliz, cheia de pormenores como nós gostamos...

SKIZO said...

Thank you for sharing
This fabulous work with us
Good creations

Paulo J. Mendes said...

Eduardo, aquilo que me diz parece vir confirmar o que escrevi na resposta ao Villager... Deve ser mesmo fruto da época :)))

Thank you, Skizo - Obrigado. Um abraço :))

Rob Carey said...

a nice rescue- I'm glad you stuck with it!

Paulo J. Mendes said...

Thank you, Rob. Now I hardly believe I once saw it as a disaster :)))

Luís Bonito said...

Concordo inteiramente com o Villager, pois não há indícios da aguarela ter corrido mal :-)
Ah! O galinheiro e aquela tralha toda!
Uma delícia :-))

Paulo J. Mendes said...

Ainda bem que gosta: O galinheiro e a indispensável tralha já foi lá posto depois da tempestade :)))